Este é um assunto que me é muito querido. Já o prof. Antunes de Sousa falava nisto e na relação, por exemplo, entre os acidentes de automóvel e a falta de atenção - ou de consciência do momento (e tenho a certeza que conseguiriamos confirmar aqui uma hipótese unidireccional, mas adiante). De facto, quantas vezes não nos encontramos em verdadeiros estados de transe enquanto fazemos as coisas do dia a dia? A falta de consciência do momento no acto de alimentação, na brincadeira com os filhos, na conversa com o outro, na condução e tudo o mais que nos possamos lembrar.
E faz tanta diferença!... Por vezes parece que a diferença entre o homem e as outras espécies animais acaba por residir mais na capacidade para a pré-ocupação, a ansiedade e tudo o resto que nos trás o facto de estarmos conscientes do/no momento. Consciência de quê se muitas vezes nem temos a consciência de quem nós somos. E não me refiro à consciência daquilo que torna realidade o nosso inconsciente, mas de tudo aquilo que não nos permitimos desfrutar... em nós, nos outros, no dia a dia... no presente! Deixando que ele seja o presente que é!
Será que a vida irreflectiva vale a pena ser vivida? Parece-me que vai depender muito do tipo de filmes realizados por cada um de nós! Pessoalmente, e apesar de gostar da qualidade dos filmes que faço ;), considero a consciência do momento muito importante e gostaria de a agarrar mais vezes! ;)
Na poesia o coração figura sempre como a sede das emoções, deixando para o cérebro os problemas do pensamento racional. Na verdade, as emoções não provêm de uma única causa, mas de várias, a começar nos acontecimentos na realidade interna ou externa que as desencadeiam. Embora as emoções envolvam, muitas vezes, um aumento da frequência cardíaca e outros efeitos no coração, este órgão é apenas um elo numa cadeia complexa.
No entanto, quero dizer que a falta de emoções é, em última instância, a própria morte, não por representar a paragem cerebral, mas porque é o resultado da incapacidade do coração, enquanto órgão figurativo, simbólico e que compreende a linguagem do Amor, de alimentar a nossa existência espiritual.
O provérbio "quem não sabe, é como que não vê" diz-nos muito para além do que é evidente, capacidade interessantíssima dos ditos populares, pois quem não vê é quem não consegue receber o reflexo da sua própria vida psíquica ecoada na consciência do SER. Portanto, e desafiando Descartes e Damásio, poderei inferir que nós só existimos se soubermos algo sobre nós mesmos, aspecto que só é possível de sentir quando conseguimos ver para além daquilo que é visível aos olhos.
Parece-me que não é possível viver de forma irreflectida, pelo facto de a vida não ser mais do que o reflexo das nossas emoções e pensamentos. Para o budismo a realidade externa, o meio e os outros, é um imenso espelho onde cada um de nós se conhece, de forma mais precisa ou difusa, consoante a saúde mental que a nossa lente racional se preste a facilitar na passagem do nosso interior para fora e se projecta no exterior. Se não ocorrer a disponibilidade mental para a recepção do retorno desta projecção, a vida torna-se irreflectida, pois apenas estaremos preparados para ser um canal emissor surdo e inflexível na adaptação aos contributos que o contexto nos reserva e nos faz desenvolver no caminho de um melhor auto-conhecimento.
Vamos lá reflectir um pouco...
ResponderEliminarEste é um assunto que me é muito querido. Já o prof. Antunes de Sousa falava nisto e na relação, por exemplo, entre os acidentes de automóvel e a falta de atenção - ou de consciência do momento (e tenho a certeza que conseguiriamos confirmar aqui uma hipótese unidireccional, mas adiante). De facto, quantas vezes não nos encontramos em verdadeiros estados de transe enquanto fazemos as coisas do dia a dia? A falta de consciência do momento no acto de alimentação, na brincadeira com os filhos, na conversa com o outro, na condução e tudo o mais que nos possamos lembrar.
E faz tanta diferença!...
Por vezes parece que a diferença entre o homem e as outras espécies animais acaba por residir mais na capacidade para a pré-ocupação, a ansiedade e tudo o resto que nos trás o facto de estarmos conscientes do/no momento. Consciência de quê se muitas vezes nem temos a consciência de quem nós somos. E não me refiro à consciência daquilo que torna realidade o nosso inconsciente, mas de tudo aquilo que não nos permitimos desfrutar... em nós, nos outros, no dia a dia... no presente! Deixando que ele seja o presente que é!
Será que a vida irreflectiva vale a pena ser vivida? Parece-me que vai depender muito do tipo de filmes realizados por cada um de nós! Pessoalmente, e apesar de gostar da qualidade dos filmes que faço ;), considero a consciência do momento muito importante e gostaria de a agarrar mais vezes! ;)
Here's my two cents!
Na poesia o coração figura sempre como a sede das emoções, deixando para o cérebro os problemas do pensamento racional. Na verdade, as emoções não provêm de uma única causa, mas de várias, a começar nos acontecimentos na realidade interna ou externa que as desencadeiam. Embora as emoções envolvam, muitas vezes, um aumento da frequência cardíaca e outros efeitos no coração, este órgão é apenas um elo numa cadeia complexa.
ResponderEliminarNo entanto, quero dizer que a falta de emoções é, em última instância, a própria morte, não por representar a paragem cerebral, mas porque é o resultado da incapacidade do coração, enquanto órgão figurativo, simbólico e que compreende a linguagem do Amor, de alimentar a nossa existência espiritual.
O provérbio "quem não sabe, é como que não vê" diz-nos muito para além do que é evidente, capacidade interessantíssima dos ditos populares, pois quem não vê é quem não consegue receber o reflexo da sua própria vida psíquica ecoada na consciência do SER. Portanto, e desafiando Descartes e Damásio, poderei inferir que nós só existimos se soubermos algo sobre nós mesmos, aspecto que só é possível de sentir quando conseguimos ver para além daquilo que é visível aos olhos.
Parece-me que não é possível viver de forma irreflectida, pelo facto de a vida não ser mais do que o reflexo das nossas emoções e pensamentos. Para o budismo a realidade externa, o meio e os outros, é um imenso espelho onde cada um de nós se conhece, de forma mais precisa ou difusa, consoante a saúde mental que a nossa lente racional se preste a facilitar na passagem do nosso interior para fora e se projecta no exterior. Se não ocorrer a disponibilidade mental para a recepção do retorno desta projecção, a vida torna-se irreflectida, pois apenas estaremos preparados para ser um canal emissor surdo e inflexível na adaptação aos contributos que o contexto nos reserva e nos faz desenvolver no caminho de um melhor auto-conhecimento.