Segundo uma reportagem da revista Veja de Setembro, está a chegar à Fox uma nova série "Lie to me", cuja acção se baseia na leitura das expressões faciais.Segundo a revista...
«Ao explorar as possibilidades da linguagem corporal na detecção de mentiras, Samuel Baum, o roteirista e criador de Lie to Me, recorreu à melhor fonte possível. Professor aposentado da Universidade da Califórnia em São Francisco, Paul Ekman, consultor científico da série, rodou o mundo nos anos 60, do Brasil à Nova Guiné, com o objetivo de comprovar uma ideia que então ia contra a visão de seus pares: a de que as expressões faciais não são mero reflexo da cultura de cada povo, e sim um componente da naturezahumana. Ekman identificou mais de 10 000 variações da fisionomia e determinou como cada uma se relaciona aos diferentes estados emocionais. Mais recentemente, ele se devotou ao estudo daquilo que chama de microexpressões. No contato social, as pessoas se autocondicionam desde cedo a mascarar o que sentem – alguém pode exibir um sorriso, embora esteja sentindo raiva. Só que, em razão da atividade involuntária de alguns de seus músculos, a face estampa as emoções reais de forma instantânea. Em questão de décimos de segundo, a pessoa consegue alterá-la. Ekman criou um programa de computador para treinar pessoas na detecção dessas mudanças rápidas – programa, aliás, que os personagens de Lie to Me usam. A série aborda ainda outra fonte de pistas sobre os mentirosos analisada à exaustão por Ekman: o gestual. Há exemplos engraçados da exibição involuntária dos chamados "emblemas" – gestos que têm um significado preciso em cada cultura – por figurões da política. Em momentos de irritação, o presidente americano Barack Obama e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld deixaram escapar (ainda que de forma disfarçada) nada menos do que os dedos médios em riste.
Interpretado pelo inglês Tim Roth com algo daquele jeitão rabugento do protagonista de House (vivido por outro inglês, Hugh Laurie), Lightman não hesita em usar seus conhecimentos para manipular os outros, mas cai nas lorotas da filha adolescente. Da mesma forma, sua assistente mais experiente parece cega aos sinais gritantes de traição por parte do marido. Mentir e ser vítima da mentira, afinal, são decorrências da vida – no primeiro episódio da série, informa-se que uma pessoa mente em média três vezes em dez minutos de conversa. Uma grande sacada de Lie to Me é não enveredar pelo moralismo. Não se pode perder de vista, afinal, que a dissimulação tem seu papel, digamos, civilizatório. Pode substituir a violência franca na resolução de um conflito. "A mentira é uma forma de inteligência, transmitida de pais para filhos desde cedo", diz o neurologista Benito Damasceno, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Poucos, contudo, são tão hábeis em percebê-la quanto um Cal Lightman.»
Deixo-vos o trailer do primeiro episódio:
Bom, eu sou fan do Tim Roth há muito tempo. Aliás, olhando para trás, ele foi o actor principal de um filme do Giuseppe Tornatore (o mesmo de "Cinema Paraíso" e "Malena") que quando realizou o seu primeiro filme em inglês convidou este actor para um papel principal. O filme a que me refiro intitula-se "A lenda de 1900", em português.
ResponderEliminarÉ um filme maravilhoso em todos os aspectos e recomendo vivamente que o vejam. Só vos posso dizer que se trata de um indivíduo (Tim Roth) que nunca saiu de um navio transatlântico, desde o ano em que nasceu: 1900. Ele cresceu e viveu sempre dentro daquele navio e tornou-se o pianista deste. Quando o barco estava prestes a ser desmantelado, por causa da idade, ele recusou sair, pois, segundo o personagem, ele só sabia tocar naquele piano com 8 oitavas e o mundo lá fora era como se fosse um piano com uma tessitura infinita e ele nesse teclado não saberia como tocar, como viver... É uma estória muito comovente e maravilhosamente gratificante como só o cinema italiano nos sabe brindar...
Agora falando de Ekman e afins, confesso que já não tenho paciência para esta psicologia das expressões faciais. Desculpem-me qualquer coisinha, como se costuma dizer, mas se alguém procura compreender o que vai dentro de alguém através daquilo que somente é manifesto, eu não estou nessa…
O meu paradigma é outro. É o da subjectividade. Na minha perspectiva, ou opinião como diz a Luísa, aquilo que entendo que é psicologia anda longe destas evidências que o outro nos vai mostrando na interacção que tem connosco. Como diz a minha professora de teóricas de Métodos de Avaliação, “aquilo que o paciente fala raramente tem alguma importância, pois aquilo que é interessante entender, é a interpretação (sempre subjectiva!!!) sobre aquilo que motiva a conversação deste”.
Portanto, e para que fique bem claro, a compreensão ou interpretação é sempre algo idiossincrático (ou subjectivo), sendo que a explicação de algo não passa de uma mera objectividade sobre a forma como a nossa compreensão é afectada sobre aquilo que entra nós. Quem não entender este conceito, aconselho, como amigo, que tire o mestrado em outra área que não seja a Clínica. Não vale o esforço falar em Forense neste momento, pois quem não tem arcaboiço para a clínica, escusa de pensar em Forense.
Não entendam como uma crítica destrutiva aquilo de que vos falo… É da noção de que a Psicologia se encontra segregada, quase desde a sua fundação, que me faz intervir neste campo. Ou aquilo que vos parece ser a psicologia assenta no paradigma da objectividade ou, no pólo oposto, não passa de uma ciência da Subjectividade. Escolham aquilo que o vosso coração entender e o facto de eu acreditar e andar por aí a apregoar algo sobre estes dois paradigmas de nada importa senão para aquilo que cada um de nós fizer com isso.
Terminando ao jeito da Sofia, se é que alguma vez o conseguirei fazer, escolham aquilo que melhor vos faça sentido e não se deixem contaminar por aquilo que os outros vos dizem ser o mais correcto. Bom, ok, não é bem ao jeito da Sofia, mas intenção não me falta… Fica mais uma tentativa fracassada ;-)
Já agora, e só para finalizar, para quem ainda tem paciência para me ler, quero-vos dizer que o modelo teórico dos modelos integrativos (será aquilo que chamamos de Holístico, Sofia???) não faz qualquer sentido para os autores de psicanálise. Como refere a mesma professora que anteriormente citei, e que, segundo consta, é a pessoa principal em Portugal pelas actualizações do teste Rochard, ela refere, dizia eu, que num modelo integracionista “alguém come alguém”. Eu vejo as coisas da mesma forma, apesar de humildemente me reduzir à insignificância quando oiço esta senhora falar. É bom sinal, só vos digo…
Beijinhos e abraços a todos.
Viva! Bons olhos te leiam! :D
ResponderEliminarGosto de te ler por aqui! ;)
Concordo contigo (e com a tua professora) quanto à importância da interpretação e à sua subjectividade. É quase como na interpretação dos sonhos, em que nestes vai estar presente toda a simbologia do paciente e não do terapeuta, mas e que interpretação vai o terapeuta fazer?! Um "diccionário de sonhos" mostra um significado possível, dá dicas, mas não significa absolutamente nada em relação a um indivíduo específico.
Ainda ontem falava sobre isto com o Manuel, em relação a esta série. O facto daquela pessoa exibir aquela combinação de expressões e gestos, não significa nada mais senão aquilo que no seu universo pessoal isso significa - embora haja quem defenda alguma universalidade da coisa. Exista ela ou não, estas interpretações são meras dicas. Já as exibições em si, não deixam de ser sinais. Só temos de perceber o que eles nos querem dizer em relação àquela pessoa!
Assim sendo, e depois de ter visto dois episódios desta série, parece-me interessante e de alguma forma útil, pois a capacidade de escuta essencial ao clínico (para quem nos lê e gosta destas áreas), não se refere apenas ao que é dito, mas também àquilo que não é dito - e quanto ao que é dito, esta comunicação não é composta apenas por palavras. É útil, nestas áreas, estar atento, treinar a capacidade de observação para perceber aquilo que está lá e aquilo que não está lá. Quanto à interpretação, isso já são outros quinhentos! Parece-me importante ter em mente as dicas (daquilo que é possível) e verificar se aquilo (ou outra coisa qualquer) se aplica ao "universo" (enquanto pessoa) que temos à nossa frente. Não será, de alguma forma, qualquer tipo de interpretação ou intervenção, desde a médica à psicológica, um mero "jogo" (esquecendo aqui o sentido perjorativo da coisa) de suposições?
Quanto aos "modelos integrativos", isso já são outras "mangas"... Sobre as quais gostaria de dissertar, pensando algo convosco, confesso, mas que ficarão para outras núpcias! ;)
Já temos duas sugestões de temas para novos artigos - um teu e outro da Telma! Boa! :D
Vai a seguir.
Para quem ficou curioso, pode descarregar os episódios aqui:
ResponderEliminarhttp://serieshunter.com/2009/04/lie-to-me.html
E divirtam-se! ;)
Olá, eu estou no 10º ano,e tenho intençoes de seguir psicologia,no ano passado fui à uma feira sobre profissoes,e que curso do ensino superior seguir e encontei uma folheto aonde entre várias,estava o ISEIT e interessei-me principalmente pelo facto de a prova de ingresso ser de ingles (fiquei confusa pois ainda não consegui perceber se é só de Ingles,ou se são as outras duas referidas juntamente com ingles)mas entretanto vi-me um bocado "a nora" pois ainda não consegui encontrar as médias,ou notas que os ultimos colocados em psicologia tiveram entre este ano e no ano passado. poderia me esclarecer estas dúvidas ? Obrigado,aguardo uma resposta.
ResponderEliminargi.kamilinha@hotmail.com