terça-feira, 10 de novembro de 2009

DOCUMENTÁRIO - O Guia Pervertido Do Cinema

Quando psicanalistas e especialistas de outras áreas olham para o cinema, o resultado nem sempre é relevante (para os filmes). O que acontece com certa freqüência é os filmes virarem exemplos de caso ou, pior, personagens e situações serem tomados como pessoas.A abordagem que o filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek propõe de filmes em seus estudos balança entre as duas perspectivas, com alcance que pode interessar muito ou pouco àqueles que procuram meios de ampliar as significações de imagens e relatos.

Essa duplicidade persegue o documentário “The Pervert’s Guide to Cinema”, dirigido pela britânica Sophie Fiennes, feito em 2006, que dá a Zizek espaço para abordar, emular, desmontar e remontar cenas, personagens e situações do cinema clássico e contemporâneo ao longo de duas horas e meia.

Para uma ideia do video:


Para download:
http://rapidshare.com/users/NES69W/63
OBS: O documentário foi disponibilizado em 15 partes compactadas com WinRar, necessário fazer download de todas as partes e depois descompactar todas elas para obter o vídeo completo.

O que pode a psicanálise dizer-nos sobre o cinema? Esta é a pergunta a que THE PERVERT´S GUIDE TO CINEMA se propõe responder. O filme conduz o espectador através de uma estimulante viagem por alguns dos maiores filmes de sempre. O guia e apresentador é Slavoj Zizek, o carismático filósofo e psicanalista esloveno. Na sua apaixonada abordagem ao pensamento, vasculha a linguagem escondida do cinema, revelando o que os filmes podem dizer-nos sobre nós próprios. Seja destrinçando os enigmáticos filmes de David Lynch, ou deitando por terra tudo o que se pensava saber sobre Hitchcock. O filme estrutura-se a partir do próprio mundo dos filmes que discute; filmado em ambientes originais ou em réplicas dos cenários, cria-se a ilusão que Zizek fala a partir do interior dos próprios filmes. “The Birds” e “Psycho”, de Hitchcock são abordados por Zizek, considerando que aquele realizador é, provavelmente, o mais freudiano de todos. Prestem atenção à comparação que Zizek faz entre os três andares da assustadora mansão de Norman Bates (“Psycho”) e o conceito freudiano de Id, Ego e Superego. O psicanalista esloveno expõe os seus argumentos de forma tão natural e convincente e ao mesmo tempo tão rápida, que a nossa mente começa a girar vertiginosamente. Está estruturada em três partes: a primeira, está dedicada a Alfred Hitchcock e Lynch, e é sobre a diferença entre a realidade e os desejos; a segunda, é sobre a libido e a terceira é sobre a eficiência das aparências, centrada principalmente na obra de Tarkovsky e Chaplin.

Vale destacar que Zizek se despe do jargão acadêmico de filósofo, embarcando num registro que lhe permite intercalar alguns momentos em que expõe raciocínios conceitualmente apurados com outros em que mostra toda a sua comicidade. Do que fala ele então? Pode-se dizer, embora com algum risco, que Zizek consegue a proeza de abordar todos os aspectos que comumente se associam à psicologia. Conceitos como real, imaginário, consciente, inconsciente, desejo e fantasia fazem parte do vocabulário dele, sendo que o seu grande esforço é tornar simples e acessível às massas a tradução da psicanálise lacaniana (da qual é discípulo). Para ele, o cinema é a arte que reúne as melhores características quando o objetivo é comunicar certas noções da psicologia: o cinema não só é uma mescla perfeita entre imagem, linguagem e som, como tem a virtude de pertencer à cultura popular.
Uma viagem imperdível.

Curiosidades:
- Slavoj Zizek é filósofo, psicanalista, e investigador esloveno, nascido em 1949, que pode-se dizer estar “na moda”. Atualmente Zizek vive entre Buenos Aires, Liubliana e Nova Iorque, lecciona em universidades norte-americanas e européias. É vivo, especulativo, provocador, sagaz, e está quase sempre em trânsito. É omnipresente nos grandes centros de discussão e move-se com grande facilidade tanto nos meios acadêmicos, como mediáticos, apesar do seu inglês “macarrônico”. Seus livros se baseiam nas suas opiniões sobre os mais diversos temas da atualidade, pela sua descontração, capacidade de comunicação e o prazer de entrar nos momentos de intimidade e quotidiano. Também já foi candidato derrotado à presidência da Eslovênia, em 1990.

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